A realização de uma proposta pedagógica sempre está fundamentada em uma con-cepção teórica que dinamiza a reflexão sobre o processo ensino-aprendizagem. O binômio ação/reflexão age como desencadeador de novas práticas e, porque não dizer, novas desco-bertas teóricas, já que as práticas exercidas no interior das escolas atuam como instâncias produtoras de novos conhecimentos que trazem novos dados para o campo teórico.
TEORIA - PRÁTICA - PRÁTICA - TEORIA
O aprofundamento da proposta construtivista no universo escolar suscitou uma série de mudanças em relação às estratégias de ensino-aprendizagem. A preocupação com a inclusão de um ambiente alfabetizador trouxe para a cena novos materiais pedagógicos e procedi mentos didáticos distintos das antigas propostas. Como fonte de mudança podemos observar:
* Estímulo e valorização da escrita espontânea, antes do domínio do código alfabético, como elemento estruturador da aprendizagem. Tal processo está vinculado ao conjunto de hipóteses estabelecidas pelo aluno nos níveis documentados na psicogênese da escrita.
* Ao invés de textos artificiais encontrados em cartilhas, privilegia-se como material de leitura/aprendizagem os textos que circulam na vida social. A lista de palavras do mesmo campo semântico, a leitura de crachá, propagandas, bilhetes, rótulos, quadrinhas, parlendas, receitas etc., passam a fazer parte deste universo.
* Sugere-se que a apropriação da escrita seja iniciada com a letra de imprensa em caixa alta, visto que esta é mais fácil para escrever e se encontra presente nos materiais impressos que o aluno tem contato no seu cotidiano.
Apesar da inclusão de novos materiais pedagógicos e a inserção de novos procedimentos fornecerem elementos para uma alfabetização de abordagem construtivista, muitos equívocos foram cometidos:
* Ex.: a simples exposição de rótulos e outros materiais escritos nas paredes das salas motivariam os alunos a serem exímios leitores e escritores.
* Valorização da escrita espontânea sem ênfase no trabalho de intervenção dos professores geraria ações pedagógicas infrutíferas.
O trabalho de alfabetização em uma abordagem construtivista pressupõe intervenção constante sobre as respostas que os alunos apresentam durante o processo. É a partir dessas hipóteses que o professor organiza as atividades e propostas de intervenção coletiva. Essa atitude passa pela compreensão de como organizar os conteúdos, as atividades e os procedimentos a serem encaminhados em sala de aula.
Opiniões:
* Fernando Becker afirma que "se é esquisito dizer que um método é construtivista, dizer que um currículo é construtivista é mais esquisito ainda."
* a função de um professor que se propõe a ser facilitador seria "liberar a curiosidade; permitir que os indivíduos arremetam em novas direções ditadas pelos seus próprios interesses; tirar o freio do sentido de indagação; abrir tudo ao questionamento e à exploração; reconhecer que tudo se acha em processo de mudança..." (Rogers)
* Um ambiente de aprendizagem que pretenda ter uma conduta de acordo com as descobertas de Piaget precisa lidar corretamente com o fator do erro e da avaliação. Em uma abordagem construtivista, o erro é uma importante fonte de aprendizagem, visto que a criança aprende com seus próprios erros. A forma e a importância da avaliação também mudam completamente, em relação às práticas convencionais.
"... A minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa".
(Emília Ferreiro)
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