quinta-feira, 25 de março de 2010

Construtivismo e Alfabetização: Emilia Ferreiro

O construtivismo não é um método de ensino. Construtivismo é uma teoria a respeito do aprendizado. Quem adotou e tornou conhecida a expressão foi uma aluna de Jean Piaget, a psicóloga Emília Ferreiro, nascida na Argentina em 1936. Partindo da teoria do seu mestre, ela pesquisou o processo mental pelo qual as crianças aprendem a ler e a escrever, colocando o nome de construtivismo na sua teoria. Emilia Ferreiro se restringiu a desenvolver uma teoria científica. No Brasil, a partir da década de 80, escolas começaram a utilizar o construtivismo em sala de aula e mudaram a forma de alfabetizar as crianças.
No construtivismo existe um sujeito que conhece e o conhecimento se constrói pela ação desse sujeito, sendo que, o ambiente tem um papel muito intenso nessa atuação de construção de ocorrências de aprendizagem dentro das quais o educando vai produzir seu saber.
Do ato de ensinar, o processo desloca-se para o ato de aprender por meio da construção de um conhecimento que é realizado pelo educando, que passa a ser visto como um agente e não como um ser passivo que recebe e absorve o que lhe é "ensinado".
No princípio, o nome construtivismo se aplicava só à teoria de Emilia Ferreiro. Essa teoria priorizou aos educadores a base científica para a formulação de novas propostas pedagógicas de alfabetização sob o prisma da lógica infantil. Em síntese, as crianças não apren-dem do jeito que são ensinadas. Conhecer e construir são ações que necessitam de projetos de assimilação e acomodação, num procedimento estável de reorganização, que é fruto da presteza daquele que interage com o mundo. Analisada por esse ângulo, uma ação docente construtivista se baseará nas condições concretas do aluno, no conhecimento dos momentos de seu desenvolvimento em afinidade aos esquemas de elaboração mental, respeitando os seus pontos de partida e a sua individualidade dentro do contexto coletivo em que está inserido.
Destacamos que o Construtivismo é uma das correntes teóricas compelidas em explicar como a inteligência humana se desenvolve tendo como subsídio o desenvolvimento da inteligência alicerçado pelas interações entre o ser humano e o meio, incluindo as idéias de descobrir, inventar, redescobrir, criar.
No Construtivismo a importância do que se faz é igual ao como e porque fazer, bus-cando delinear os diversos estágios por que passam os indivíduos na ação de aquisição dos conhecimentos, de como se desenvolve a inteligência humana e de como o indivíduo se torna autônomo.
O Construtivismo parte da idéia de que nada está pronto e acabado e o conhecimento não é algo terminado, destacando o papel ativo da criança no aprendizado, onde os conhecimentos são construídos pelos alunos mediante o estímulo ao desafio, ao desenvolvimento do raciocínio, à experimentação, à pesquisa e ao trabalho coletivo. O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. Rejeita a apresentação de conhecimentos prontos ao estudante, como um prato feito e utiliza de modo inovador técnicas tradicionais como, por exemplo, a memorização. Daí o termo "construtivismo", pelo qual se procura indicar que uma pessoa aprende melhor quando toma parte de forma direta na construção do conhecimento que adquire. O construtivismo enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem; condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.
No ano de 1985, foi publicado no Brasil o livro “Psicogênese da Língua Escrita” apresentando aos interessados nos processos de alfabetização, os estudos de Emilia Ferreiro e de sua colaboradora, a professora Ana Teberosky.
No trabalho de Ferreiro, identificamos claramente as marcas de sua formação piagetiana pela presença de conceitos como, por exemplo: os de esquemas de assimilação, acomodação e equilibração:
• Assimilação: Quando conhecemos um objeto não nos apropriamos dele imediatamente. Assimilar significa tomar conhecimento, perceber, registrar as propriedades do novo objeto de conhecimento e não apenas armazenar as informações sobre ele.
• Acomodação: Inicia-se um processo de exploração do novo, confrontando o objeto a ser conhecido com as estruturas da língua que já temos internalizadas e das quais somos usuários.
• Equilibração: Após conhecermos o objeto, contextualizá-lo e significá-lo interiormente, nos apropriamos dele como algo que passa a fazer parte da nossa estrutura de pensa-mento. Na equilibração, lançamos mão desse objeto de conhecimento sempre que necessário. Ele passa a nos pertencer e, consequentemente, a ser utilizado com naturali-dade e desenvoltura.
Considerando o esquema “assimilação-acomodação-equilibração”, dentro da perspectiva construtivista, encontra-se na forma como a criança interpreta e compreende o objeto a ser conhecido. Essa perspectiva se diferencia da abordagem mecanicista, que centrava sua atenção na forma como ensinar a criança a conhecer o objeto do ponto de vista do adulto.
Nos métodos mecanicistas, a criança deve adequar-se ao método e não o contrário. Sob o ponto de vista da fundamentação piagetiana, a apropriação do objeto permite uma aprendizagem a que chamamos significativa, pois a criança internaliza, interpreta e toma posse do objeto como parte de seu universo.
A alfabetização é um assunto que desperta o interesse de diferentes áreas, dentre elas a Psicologia e a Linguística. A Psicolinguística e a Sociolinguística são teorias auxiliares para a compreensão do que acontece no processo de alfabetização. Emilia Ferreiro iniciou suas investigações pelo caminho da Psicolinguística – ciência que se ocupa dos aspectos cognitivos envolvidos nos processos de comunicação.
O problema que tanto atormenta os professores que é o dos diferentes níveis em que normalmente os alunos se encontram e vão se desenvolvendo durante o processo de alfabetização, assume importante papel, já que a interação entre eles é fator de suma importância para o desenvolvimento do processo.
Os níveis estruturais da linguagem escrita podem explicar as diferenças individuais e os diferentes ritmos dos alunos. Emília Ferreiro classifica esses níveis em: pré-silábico, silábico (÷ em silábico e silábico-alfabético) e alfabético.
Os "erros" das crianças podem ser trabalhados, ao contrário do que a maioria das escolas pensam, esses "erros" demonstram uma construção, e com o tempo vão diminuindo, pois as crianças começam a se preocupar com outras coisas (como ortografia) que não se preocupavam antes, pois estavam apenas descobrindo a escrita.
Não é porque o aluno participa de forma direta da construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo", ressalta. Ou seja, cabe ao professor organizar atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende.

Um comentário:

Josylaine disse...

Gosto muito do trabalho de Emilia Ferreiro e gosto de estudar esse conteúdo... Gostaria de saber se ela ainda está viva?